Presidente Santiago Peña prevê início dos pagamentos ainda nesta semana, caso o Congresso aprove projeto de lei; caso provocou protestos, investigação criminal e renúncia no Banco Central.
O governo do Paraguai anunciou nesta quarta-feira (4) medidas para ressarcir clientes do Ueno Bank, instituição financeira que enfrenta uma crise e passou por um processo de intervenção e dissolução. O presidente Santiago Peña afirmou que pretende iniciar os pagamentos ainda nesta semana, caso o Congresso aprove uma proposta que autorize a utilização de recursos do Fundo de Garantia para devolver o dinheiro aos depositantes.

Clientes do Ueno Bank protestam em Assunção, Paraguai. Foto: Daniel Duarte/AFP
O anúncio ocorre um dia após milhares de paraguaios protestarem em Assunção, capital do país, para cobrar acesso aos valores mantidos na instituição. A crise também provocou a renúncia do então presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, e levou à abertura de uma investigação criminal contra dirigentes do banco.
Segundo Peña, a proposta do governo pretende atender aproximadamente 98% dos poupadores afetados. O presidente também encaminhou ao Senado a indicação do economista Raúl Vera Bogado para assumir a presidência do Banco Central, além de outros dois nomes para diretorias da instituição.
Clientes ficaram sem acesso ao próprio dinheiro
A crise ganhou repercussão depois que clientes encontraram agências do Ueno fechadas e enfrentaram dificuldades para utilizar aplicativos e cartões. Entre os afetados estão aposentados que recebem benefícios do governo por meio da instituição.
Na terça-feira (3), manifestantes foram às ruas de Assunção para exigir a liberação dos depósitos. O protesto teve momentos de tensão e confrontos com policiais.
O Ueno Bank é uma das principais instituições financeiras do Paraguai e o maior emissor de cartões de crédito do país. Controlado majoritariamente pelo Grupo Vázquez, o banco também administra cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores do Instituto de Previdência Social (IPS) e de outros fundos previdenciários.
Entenda o que provocou a crise
O problema envolve a situação financeira do banco e suspeitas que passaram a ser investigadas pelas autoridades paraguaias. Após ajustes nos balanços da instituição, o índice de solvência caiu para menos da metade do mínimo exigido pela legislação.
Esse indicador mede a capacidade de uma instituição financeira de cumprir suas obrigações e suportar possíveis perdas. Quando fica abaixo do limite estabelecido pelos órgãos reguladores, significa que o banco apresenta um nível de risco que exige atenção e medidas de fiscalização.
O Banco Central iniciou procedimentos para proteger os depositantes e reduzir os impactos da situação. O Ministério Público também abriu uma investigação criminal para apurar possíveis irregularidades relacionadas à administração da instituição.
Segundo informações divulgadas pela imprensa paraguaia, oito integrantes da direção do Ueno foram detidos durante o processo de intervenção e dissolução. Eles são investigados por suspeitas de fraude, quebra de confiança e outras práticas que podem ter contribuído para a crise.
Crise aumenta pressão sobre o governo
O caso também ganhou dimensão política porque Santiago Peña foi sócio do grupo controlador do Ueno até março de 2025. Além disso, Carlos Carvallo, que renunciou à presidência do Banco Central na terça-feira, havia comandado o banco até agosto de 2023.
A atuação da autoridade monetária na fiscalização da instituição vinha sendo questionada por parlamentares, que criticavam a condução do caso e a supervisão realizada antes da crise.
Com a indicação de Raúl Vera Bogado para o comando do Banco Central, o governo tenta reorganizar a instituição em meio às cobranças por esclarecimentos e à preocupação dos clientes.
Peña afirmou que o episódio não representa uma crise generalizada do sistema financeiro paraguaio e defendeu que eventuais responsáveis por irregularidades sejam responsabilizados pela Justiça.
A devolução dos depósitos, no entanto, ainda depende da aprovação do projeto pelo Congresso. Até lá, a situação dos clientes e os desdobramentos da investigação permanecem no centro das atenções no país.










