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Ex-diretor do Banco Genial e executivo ligado ao Master são alvos da 3ª fase da Operação Carbono Oculto

Operação investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio em negócios envolvendo usina e distribuidora de combustíveis.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, e a Receita Federal deflagraram nesta quinta-feira (24/09) a terceira fase da Operação Carbono Oculto. A ação investiga uma suposta estrutura financeira utilizada para ocultar a origem de recursos e os beneficiários de negócios no setor de combustíveis. Entre os alvos estão o ex-executivo do Banco Genial Humberto Arthur Tupinambá Neto e o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, ligado às investigações envolvendo o Banco Master.

Batizada de Operação Crédito Oculto, a nova etapa cumpre mandados de busca e apreensão em sete estados e tem como principal foco a aquisição da Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana. Segundo os investigadores, empresas, fundos de investimento e outras estruturas financeiras teriam sido utilizadas para dificultar a identificação dos responsáveis pelos negócios e dos beneficiários finais das operações. Além de Humberto Tupinambá, também são alvos das medidas os irmãos André e Bruno Tupinambá. Antonio Carlos Freixo Junior, proprietário da Entre Investimentos, também está entre os investigados. O empresário aparece em outra frente de investigação relacionada ao Banco Master e firmou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República naquele caso.

A apuração aponta que uma das estruturas investigadas teria sido criada inicialmente para ocultar os verdadeiros proprietários de uma usina sucroalcooleira localizada no interior de São Paulo. Posteriormente, a estrutura teria sido utilizada em operações relacionadas à aquisição da distribuidora de combustíveis. Um dos negócios analisados envolve aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios relacionados à usina. De acordo com os investigadores, parte dos recursos empregados na aquisição de cotas de um fundo de investimento em direitos creditórios teria origem em outros fundos controlados pelo mesmo grupo.

A investigação também identificou a movimentação de aproximadamente R$ 100 milhões que teriam sido utilizados na estruturação da aquisição da distribuidora. Segundo as autoridades, os recursos passaram por diferentes contas de empresas relacionadas ao grupo antes de chegar à usina. Os investigadores analisam ainda operações envolvendo fundos de investimento e imóveis. A suspeita é de que transferências de ativos entre empresas e fundos possam ter contribuído para dificultar a identificação dos verdadeiros proprietários dos bens e da origem dos recursos utilizados nas operações.

As diligências desta quinta-feira ocorrem em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo. A operação busca identificar a origem dos recursos, os beneficiários econômicos das transações e a eventual participação de outras pessoas físicas e jurídicas.

A Carbono Oculto foi deflagrada em 2025 para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro e sonegação tributária relacionadas ao setor de combustíveis. Com o avanço das apurações, os investigadores passaram a analisar também possíveis conexões entre empresas do setor, fundos de investimento e operadores financeiros. Nesta terceira fase, denominada Crédito Oculto, o foco está nas estruturas financeiras relacionadas à aquisição da Terrana e nas suspeitas de utilização de empresas e fundos para ocultar os responsáveis pelos negócios.

Os documentos e equipamentos apreendidos durante a operação serão analisados pelas autoridades. A partir desse material, os investigadores deverão buscar novos elementos sobre o caminho percorrido pelos recursos e sobre a participação dos envolvidos. As suspeitas ainda estão sob investigação. Os alvos da operação não foram condenados e têm direito à defesa e à presunção de inocência.

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