Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desapareceram em janeiro no Maranhão. Família busca confirmação sobre possível presença dos irmãos entre os menores localizados em operação nos Estados Unidos.
A divulgação de imagens de crianças encontradas durante uma grande operação de localização de menores nos Estados Unidos reacendeu a esperança da família de Ágatha Isabelly Reis Lago, de 6 anos, e Allan Michael Reis Lago, de 4 anos. Os irmãos estão desaparecidos desde 4 de janeiro de 2026, quando saíram para brincar na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, no Maranhão.
A repercussão surgiu após a Operation Statewide Shield, operação coordenada por forças de segurança da Flórida que localizou e recuperou 163 crianças e adolescentes, com idades entre dois meses e 17 anos. A ação ocorreu durante cinco dias e foi anunciada pelas autoridades da Flórida em 25 de agosto. Segundo o Departamento de Polícia da Flórida (FDLE), os menores foram localizados em diferentes regiões e alguns apresentavam situações relacionadas a abuso, negligência, exploração ou outras circunstâncias de vulnerabilidade.
Entre as imagens que passaram a circular nas redes sociais está uma fotografia de duas crianças que apresentam características físicas semelhantes às de Ágatha e Allan. Até o momento, entretanto, não existe confirmação oficial de que as crianças fotografadas sejam os irmãos desaparecidos em Bacabal.
Família busca respostas
Ágatha e Allan desapareceram na tarde de 4 de janeiro, depois de saírem para brincar acompanhados do primo Anderson Kauã, de 8 anos. Os três entraram em uma área de mata próxima à comunidade São Sebastião dos Pretos. Anderson foi localizado três dias depois, em 7 de janeiro, por trabalhadores rurais. Ele estava debilitado e desorientado. Os dois irmãos, porém, não foram encontrados. As buscas mobilizaram forças de segurança, equipes especializadas, voluntários e moradores da região. Foram realizadas operações terrestres, aéreas e aquáticas, mas, ao longo dos meses, nenhum vestígio capaz de indicar o paradeiro de Ágatha e Allan foi confirmado publicamente.
O caso completou oito meses neste mês de setembro, sem que os irmãos fossem localizados. O Imirante informou que a investigação continuava sem apontar o paradeiro das crianças.
Operação nos Estados Unidos
A operação que localizou os 163 menores foi considerada pelas autoridades da Flórida a primeira iniciativa estadual de recuperação de crianças desaparecidas e a maior operação desse tipo realizada na história do estado. Segundo o gabinete do procurador-geral da Flórida, a ação envolveu diferentes órgãos de segurança e também contou com cooperação fora do estado e internacional. As crianças foram encontradas na Flórida, em outros estados americanos, em um território dos EUA e em outros países. Entre os países mencionados pelas autoridades está o Brasil. A informação sobre a presença do Brasil entre os locais relacionados à operação, no entanto, não significa que Ágatha e Allan estejam entre as crianças recuperadas.
Interpol entra no radar das buscas
A possibilidade de uma investigação internacional ganhou força nesta semana. Segundo reportagem publicada pelo Metrópoles em 8 de setembro, a família de Ágatha e Allan recebeu indicação de apoio da Interpol, por meio do Núcleo de Cooperação Internacional, para auxiliar nas buscas caso exista a possibilidade de que as crianças tenham sido levadas para outro país.
De acordo com a publicação, a advogada da família, Nathaly Moraes, informou que haveria uma reunião com representantes do Núcleo de Cooperação Internacional nesta quarta-feira (09/09), na sede da Polícia Federal, para discutir de que maneira as ferramentas de cooperação internacional poderiam ser utilizadas no caso. A informação representa uma nova frente de investigação, mas não estabelece qualquer ligação entre os irmãos e as 163 crianças localizadas nos Estados Unidos.
Imagem gera repercussão nas redes sociais
As fotografias que circulam nas redes provocaram grande repercussão justamente pela semelhança apontada por internautas entre duas das crianças resgatadas e os irmãos maranhenses. Especialistas e autoridades, entretanto, precisam realizar a identificação por meios oficiais antes que qualquer conclusão seja divulgada. Comparações feitas apenas visualmente a partir de fotografias publicadas na internet não são suficientes para confirmar a identidade de uma criança. A família, por isso, aguarda informações oficiais das autoridades brasileiras e americanas.

Caso continua sem resposta
O desaparecimento de Ágatha e Allan permanece como um dos casos que mais mobilizaram a comunidade de Bacabal neste ano. Desde o início das buscas, diferentes hipóteses foram investigadas. Em janeiro, as autoridades chegaram a informar que não havia indícios conclusivos de participação de terceiros. Com o avanço da investigação e a ausência de vestígios, outras possibilidades passaram a ser consideradas. Agora, a possibilidade de uma eventual localização fora do Brasil acrescenta uma nova dimensão ao caso. Até a publicação desta reportagem, não havia confirmação oficial de que Ágatha Isabelly e Allan Michael estejam entre as crianças recuperadas na Operation Statewide Shield, nos Estados Unidos. A família continua aguardando respostas.










