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MP abre investigação contra Lucas Pavanato por discurso de ódio após fala sobre minorias

Declaração de que colocaria grupos minoritários “no devido lugar” motivou inquérito do Ministério Público de São Paulo, que apura possível discriminação e incitação à hostilidade; deputado federal eleito contesta atuação do promotor.

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) instaurou um inquérito civil para investigar o vereador Lucas Pavanato (PL-SP), eleito deputado federal nas eleições de 2026, por suspeita de discriminação, incitação à hostilidade e discurso de ódio contra grupos minoritários. A apuração foi aberta na última segunda-feira (26), após declarações do parlamentar em entrevista à rádio Jovem Pan, na qual afirmou que colocaria minorias “no devido lugar”. O caso ganhou repercussão nacional nesta terça-feira (27).

A declaração foi feita em 6 de outubro, após o primeiro turno das eleições, quando Pavanato comentou o resultado eleitoral e a reação de adversários políticos à sua votação e à eleição de Eduarda Campopiano (PL), deputada estadual eleita por São Paulo. “Vocês são a minoria, e como minoria a gente vai colocar vocês no devido lugar”, afirmou o parlamentar durante a entrevista.

O Ministério Público pretende analisar o contexto das declarações, identificar os grupos aos quais o político se referia e verificar se houve conduta discriminatória capaz de justificar eventual responsabilização civil, eleitoral ou penal. Segundo o órgão, mesmo após a análise da íntegra da entrevista, as falas permanecem ambíguas e podem caracterizar discurso de ódio contra grupos sociais.

A abertura do inquérito não significa que o parlamentar tenha sido condenado ou que as suspeitas estejam comprovadas. O procedimento busca reunir elementos para avaliar se houve irregularidade e quais medidas poderão ser adotadas.

Em resposta à investigação, a assessoria de Pavanato questionou a imparcialidade do promotor responsável pelo caso, Ricardo Manuel Castro, alegando que ele teria alinhamento ideológico à esquerda. A equipe jurídica do parlamentar informou que apresentou uma representação contra o integrante do Ministério Público ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), sob a alegação de perseguição política e possível vazamento de documentos à imprensa.

A defesa também afirmou que Pavanato ainda não havia sido formalmente notificado sobre o inquérito. Até a publicação das informações pela imprensa, não havia manifestação pública do parlamentar sobre todos os detalhes da investigação. O procedimento tem como fundamento a Constituição Federal e a Convenção Interamericana contra o Racismo e a Intolerância. O Ministério Público também pretende avaliar a existência de possíveis danos morais e sociais coletivos decorrentes das declarações.

O caso ocorre em meio à repercussão de outras manifestações de integrantes do PL envolvendo minorias e direitos da população LGBTQIA+. Na semana anterior, o Ministério Público paulista também havia ajuizado uma ação contra Eduarda Campopiano por uma publicação considerada transfóbica sobre a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP).

A investigação contra Pavanato deverá avançar com a análise das declarações e dos elementos reunidos pelo Ministério Público. A eventual adoção de medidas judiciais dependerá das conclusões da apuração.

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