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Novo medicamento aprovado nos EUA mostra potencial para preservar músculos durante o emagrecimento

Estudo publicado na Nature Medicine aponta que o apitegromab conseguiu reduzir a perda de massa magra em pessoas que emagreceram com tirzepatida, mas o medicamento ainda não foi aprovado para essa finalidade.

Um novo medicamento que acaba de receber aprovação nos Estados Unidos está chamando a atenção de pesquisadores por um possível efeito que pode mudar o tratamento da obesidade: ajudar o organismo a perder gordura sem comprometer tanto a massa muscular. O apitegromab, aprovado pela FDA neste mês para o tratamento da atrofia muscular espinhal, apresentou resultados promissores em um estudo que avaliou sua capacidade de preservar músculos durante o emagrecimento.

A pesquisa, publicada em junho de 2026 na revista científica Nature Medicine, avaliou 102 adultos com sobrepeso ou obesidade que estavam utilizando tirzepatida para perda de peso. Os participantes foram divididos em dois grupos, um recebeu apitegromab associado à tirzepatida e o outro recebeu tirzepatida mais placebo.

Depois de 24 semanas, os pesquisadores observaram uma diferença significativa na quantidade de massa magra perdida entre os grupos. Quem recebeu apitegromab perdeu, em média, 1,6 quilo de massa magra, enquanto o grupo que recebeu placebo perdeu aproximadamente 3,5 quilos. Na prática, o medicamento preservou cerca de 1,9 quilo adicional de massa magra durante o período analisado. O resultado chamou atenção porque a quantidade total de peso eliminada foi semelhante nos dois grupos. A diferença estava principalmente na composição dessa perda.

Mais gordura perdida e menos músculo

Entre os participantes que receberam apitegromab, cerca de 85% da perda de peso veio da redução de gordura, enquanto aproximadamente 15% correspondeu à perda de massa magra. No grupo que recebeu placebo, a perda de gordura representou cerca de 70% do emagrecimento, enquanto aproximadamente 30% da redução de peso veio da massa magra.

Os pesquisadores estimaram que o apitegromab proporcionou uma retenção de aproximadamente 54,9% da massa magra em comparação com o grupo de controle. O estudo, no entanto, foi relativamente pequeno e durou apenas 24 semanas para a análise principal. Por isso, os próprios pesquisadores apontam que são necessários estudos maiores e mais longos para determinar o impacto do tratamento sobre a saúde e a função muscular no longo prazo.

Como o medicamento funciona?

O apitegromab atua sobre uma proteína chamada miostatina, que participa da regulação do crescimento muscular. A proposta dos pesquisadores é bloquear seletivamente a ativação dessa proteína para reduzir a perda de tecido muscular durante o processo de emagrecimento.

Essa estratégia ganhou relevância com a expansão dos medicamentos utilizados contra a obesidade, especialmente os tratamentos baseados em incretinas, como a tirzepatida. Embora essas terapias sejam capazes de promover uma perda expressiva de peso, parte desse peso pode vir da massa magra. Preservar músculos durante o emagrecimento é considerado importante porque a massa muscular está relacionada à força, mobilidade e funcionamento do organismo.

Medicamento foi aprovado nos Estados Unidos, mas não para emagrecimento

Apesar dos resultados promissores, é importante fazer uma distinção. Em 11 de setembro de 2026, a Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos, a FDA, aprovou o apitegromab, comercializado como Isembyld, para o tratamento da atrofia muscular espinhal em adultos e crianças a partir de 2 anos que já estejam recebendo tratamento direcionado ao SMN2.

A aprovação representa a primeira terapia autorizada pela FDA para a atrofia muscular espinhal que atua diretamente sobre a perda muscular. Isso significa que o medicamento não está aprovado nos Estados Unidos como tratamento para emagrecimento ou para preservação de músculos em pessoas que utilizam medicamentos contra obesidade. Essa possibilidade continua sendo estudada em pesquisas clínicas.

O que os resultados podem representar?

Para os pesquisadores, os resultados abrem uma possibilidade de combinar medicamentos que promovem a redução de peso com estratégias destinadas a preservar a musculatura. No estudo, a perda total de peso foi semelhante entre os grupos, mas aqueles que receberam apitegromab apresentaram uma proporção maior de redução proveniente da gordura e menor perda de massa magra.

Os resultados podem ser particularmente relevantes diante do crescimento do uso de medicamentos para controle da obesidade e da necessidade de compreender não apenas quanto peso uma pessoa perde, mas também qual tipo de tecido está sendo perdido durante o tratamento. Ainda assim, o apitegromab não deve ser considerado, neste momento, um medicamento aprovado especificamente para proteger músculos durante o emagrecimento.

Próximos passos

A pesquisa publicada na Nature Medicine é classificada como um estudo de fase 2 e teve como objetivo demonstrar se a estratégia poderia funcionar. Os resultados foram considerados promissores pelos pesquisadores, mas novas pesquisas serão necessárias para avaliar a eficácia e a segurança da abordagem em populações maiores e por períodos mais prolongados.

Enquanto esses estudos avançam, especialistas continuam considerando alimentação adequada, ingestão suficiente de proteínas e exercícios de resistência, quando apropriados e orientados por profissionais, como componentes importantes para ajudar a preservar a massa muscular durante o emagrecimento. A descoberta, portanto, não significa que surgiu uma “pílula para emagrecer sem perder músculos”, mas representa uma nova frente de pesquisa para tentar tornar a perda de peso mais direcionada à redução de gordura e menos associada à perda de tecido muscular.

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