O governo da China condenou nesta sexta-feira (6) as novas sanções impostas pelos Estados Unidos contra Cuba. Pequim classificou as medidas como uma tentativa de “sabotagem” da cooperação entre os dois países. A nova rodada de restrições, anunciada na quinta-feira (5), inclui pela primeira vez duas empresas chinesas e amplia a pressão econômica do governo de Donald Trump sobre a ilha caribenha.
A reação foi divulgada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun. Durante uma entrevista coletiva, ele afirmou que o país se opõe à interferência norte-americana nas relações entre Pequim e Havana e advertiu que adotará “todas as medidas necessárias” para proteger os interesses de suas empresas.
Por que empresas chinesas foram incluídas nas sanções?
As companhias atingidas são a China National Electronics Import and Export Corporation (CEIEC) e a Beijing H&C Technologies, ambas do setor de tecnologia e equipamentos eletrônicos.
O governo norte-americano acusa as empresas de fornecer componentes e equipamentos de defesa e segurança ao governo cubano, incluindo materiais destinados às Forças Armadas da ilha. Segundo Washington, as operações ocorreram por meio de uma empresa cubana responsável pela aquisição de equipamentos militares.
As sanções restringem as operações das companhias com os Estados Unidos e podem bloquear seus ativos sob jurisdição norte-americana. Na prática, empresas e pessoas incluídas nas listas de restrições enfrentam limitações para realizar transações financeiras e comerciais com entidades dos EUA.
Além das companhias chinesas, o pacote anunciado pelo governo Trump também atinge empresas e pessoas ligadas aos setores de petróleo, transporte marítimo e tecnologia de Cuba.
Pressão econômica dos Estados Unidos sobre Cuba
As novas medidas fazem parte de uma estratégia de pressão adotada pelo governo Trump desde o início de 2026. Em janeiro, o presidente norte-americano assinou uma ordem executiva que permite a aplicação de tarifas adicionais sobre produtos de países que forneçam petróleo a Cuba.
A medida aumentou as dificuldades de abastecimento energético da ilha, que enfrenta uma crise econômica marcada por falta de combustível, apagões prolongados e escassez de produtos básicos. A restrição ao fornecimento de petróleo também afeta o funcionamento de serviços e atividades que dependem de energia.
Washington afirma que pretende pressionar o governo cubano e atingir estruturas econômicas e militares ligadas à liderança do país. O presidente Donald Trump também já fez declarações sobre a possibilidade de uma intervenção militar na ilha.
China e Cuba mantêm relações há décadas
A reação de Pequim também evidencia o impacto das sanções sobre as relações internacionais de Cuba. China e ilha caribenha mantêm relações diplomáticas desde 1960 e desenvolveram acordos de cooperação em áreas como comércio, tecnologia, infraestrutura e energia.
O governo chinês tem criticado repetidamente as medidas econômicas unilaterais dos Estados Unidos contra Cuba e defendido o respeito à soberania do país. Com a inclusão de empresas chinesas nas novas sanções, a disputa deixa de envolver apenas Washington e Havana e passa a atingir diretamente os interesses econômicos de Pequim na região.










