A segurança pública do Piauí perdeu nesta quarta-feira (30/09) uma integrante que ajudou a marcar a história do trabalho policial com cães no Estado. A K9 Catrina, primeira cadela policial da Polícia Civil do Piauí e integrante do Núcleo de Operações com Cães (NOC) da Força Estadual Integrada de Segurança Pública (FEISP), morreu em Teresina após anos de atuação em operações de combate à criminalidade. A despedida foi marcada por um cortejo fúnebre organizado pela Secretaria da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), com passagem por unidades das forças de segurança antes do encaminhamento do corpo para o Cemitério Bom Descanso Pet, no bairro Angelim.
Catrina atuava junto ao Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), da Polícia Civil, e era empregada principalmente na detecção de drogas, armas e munições por meio do faro. Ao longo da carreira, a cadela participou de diversas atividades operacionais de segurança pública e ações de combate ao crime no Estado.
Da raça pastor-alemão, Catrina veio de Goiás e chegou ao Piauí já treinada para atuar em operações policiais. Ela foi doada à Secretaria Estadual da Segurança Pública e passou a participar de ações de combate ao tráfico de drogas, contribuindo para a estruturação do trabalho especializado com cães no Estado.
Uma das operações de destaque ocorreu no município de Bom Jesus, no Sul do Piauí. Durante uma ação contra o tráfico de drogas, Catrina auxiliou policiais na abordagem de um ônibus interestadual. A operação resultou na apreensão de 41 tabletes de entorpecentes e na prisão de duas mulheres.
O trabalho da cadela também foi ampliado para outras formas de localização de materiais. Em 2024, Catrina participou da Operação Interditados 15, em Teresina, quando cães farejadores foram utilizados, de forma experimental, para localizar aparelhos celulares provenientes de roubos ou furtos. Na ocasião, Catrina encontrou seis celulares na região da Praça da Bandeira, enquanto a K9 Vick localizou outro aparelho.
A experiência representou uma ampliação do emprego dos cães policiais em atividades de apoio às investigações. Tradicionalmente utilizados na localização de drogas, armas e munições, os animais passaram a ser empregados também em outras situações que exigiam capacidade de identificação por odor.
A trajetória de Catrina também foi marcada pelo vínculo estabelecido com os policiais responsáveis por seu treinamento e condução. No início de sua atuação no Piauí, quando ainda não havia uma estrutura própria de canil, a cadela chegou a permanecer na residência de uma das policiais que trabalhavam com ela. A convivência contribuiu para criar uma relação de proximidade que ultrapassava a rotina operacional.
O Núcleo de Operações com Cães também passou por expansão ao longo dos anos. Em 2024, a estrutura contava com cinco cães treinados para missões especializadas. Naquele período, Catrina estava entre os animais utilizados em Teresina.
Entre janeiro e novembro daquele ano, o Núcleo de Operações com Cães foi acionado mais de 250 vezes e atuou em 40 municípios piauienses. As operações resultaram em apreensões de drogas, armas, munições e aparelhos celulares.
A morte de Catrina foi comunicada pela Secretaria da Segurança Pública do Piauí nesta quarta-feira. Como forma de reconhecimento pelos serviços prestados, foi organizado um cortejo com saída da sede do Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico, na zona Sudeste de Teresina, seguindo em direção ao Cemitério Bom Descanso Pet, no bairro Angelim.
Durante o trajeto, o cortejo passou em frente aos canis da Polícia Militar do Piauí, do Núcleo de Operações com Cães da FEISP e da Guarda Civil Municipal, onde foram realizadas homenagens à cadela.
Em homenagem após a morte, o Núcleo de Operações com Cães destacou o caráter pioneiro de Catrina no trabalho com cães voltado ao combate à criminalidade e sua participação em ações que resultaram na apreensão de entorpecentes. A cadela ainda permanecia em atividade e estava próxima do período de aposentadoria.
A despedida de Catrina encerra uma trajetória que se confunde com a expansão do emprego de cães farejadores nas operações de segurança pública do Piauí. Durante anos, ela esteve presente em ações de combate ao tráfico e em atividades de localização de materiais, auxiliando policiais em diferentes regiões do Estado.
A K9 Catrina deixa registrada sua participação na história da segurança pública piauiense e no trabalho especializado desenvolvido pelo Núcleo de Operações com Cães. Nesta quarta-feira, recebeu uma última homenagem das instituições com as quais trabalhou e dos profissionais que fizeram parte de sua trajetória.










