Operação Avalanche cumpriu mais de 20 mandados de busca na Vila Samaritano e em áreas da Piçarreira e do Parque Universitário. Um homem foi preso, outro fugiu e seis suspeitos foram identificados durante as investigações.
Uma investigação da Polícia Civil identificou imóveis desocupados que estariam sendo utilizados por suspeitos de roubos e furtos para esconder objetos de origem ilícita na zona Leste de Teresina. Os locais ficam em uma ocupação na região da Vila Samaritano e foram alvo da Operação Avalanche, deflagrada na manhã desta quinta-feira (5) pela Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), em ação conjunta das Polícias Civil e Militar.
Ao todo, foram cumpridos mais de 20 mandados de busca e apreensão, abrangendo também trechos dos bairros Piçarreira e Parque Universitário. A operação teve como objetivo desarticular um núcleo de organização criminosa, localizar materiais provenientes de crimes e apreender armas, drogas e outros elementos que possam contribuir com as investigações.
Em entrevista à Rede Meio Norte, a delegada Amanda Bezerra, titular da 7ª Delegacia Seccional, explicou que a equipe identificou uma movimentação suspeita de pessoas investigadas por crimes de rua. Segundo ela, os suspeitos utilizavam barracos abandonados para guardar objetos roubados, evitando que os materiais fossem encontrados em seus próprios endereços.
“Desde quando assumimos aqui a 7ª Seccional, a equipe por completo começou a notar uma movimentação estranha dos criminosos que faziam crimes de rua, como roubos e furtos, e se utilizavam da invasão, sobretudo de casebres que estão abandonados, para esconder produtos de crime. Para não serem localizados nos seus endereços. Então, de posse dessas informações, a gente fez os pedidos, levantamentos necessários”, afirmou a delegada.
Investigação começou após roubos violentos
De acordo com Amanda Bezerra, o trabalho de investigação avançou após um roubo a uma residência, durante o qual as vítimas foram mantidas em cárcere privado. Outro caso envolveu a invasão de um imóvel, de onde os suspeitos chegaram a retirar o portão.
A partir dessas ocorrências e dos levantamentos realizados pela equipe policial, foram identificados pelo menos seis suspeitos de participação nos crimes. A investigação apontou que os imóveis abandonados funcionavam como locais de ocultação de objetos, dificultando a identificação da origem dos materiais e sua localização pelas equipes de segurança.
A delegada também fez questão de esclarecer que os barracos utilizados pelos investigados não eram aqueles ocupados pelas famílias que vivem na comunidade. Segundo ela, os suspeitos se aproveitavam da existência de estruturas desocupadas e da vulnerabilidade dos moradores da região.
“Eles se servem de uma invasão, inclusive da vulnerabilidade dessas pessoas, para esconder produtos de crime. Infelizmente é uma realidade que a gente encontra na rua, as pessoas ainda têm muito medo, muito receio, porque são coagidas por esses criminosos. Então, a nossa intenção é trazer a paz social para toda a região”, declarou.
Arma e objetos roubados foram apreendidos
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam uma arma de fogo municiada e pronta para uso. Conforme a investigação, o armamento possivelmente era utilizado na prática de crimes violentos na região.
As equipes também recuperaram uma televisão, aparelhos celulares, caixas de som e outros objetos que podem ter sido levados durante assaltos. Os materiais deverão contribuir para o avanço das investigações e para a identificação de possíveis vítimas.
A operação resultou na prisão em flagrante de Rogério Félix Barros da Silva, conhecido como Lelê, apontado pela polícia como suspeito de envolvimento com uma facção criminosa. Segundo a delegada, ele teria resistido à abordagem e agredido os agentes durante a ação.
Outro suspeito conseguiu fugir no momento da abordagem e continua sendo procurado pelas equipes policiais. A delegada também mencionou a existência de outros integrantes de uma mesma família investigados por envolvimento em crimes violentos na região.
Polícia também apagou pichações de facções
Além das buscas e apreensões, a operação incluiu o apagamento de pichações e marcações associadas a facções criminosas na área. A medida, segundo a delegada, faz parte da atuação das forças de segurança para reforçar a presença do Estado na comunidade.
“A gente quer deixar claro que quem manda é o Estado. Facção não se cria, seja aqui, seja em qualquer lugar. O nosso trabalho é esse, é tirar essas demarcações, porque não existe demarcação. O território é do povo, a cidade é da população”, afirmou Amanda Bezerra.
A Operação Avalanche foi coordenada pela 7ª Delegacia Seccional da Polícia Civil e contou com o apoio da Superintendência de Operações Integradas (SOI), da Força Estadual Integrada de Segurança Pública (FEISP) e da Polícia Militar. As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer a participação dos suspeitos nos crimes registrados na zona Leste de Teresina.










