De acordo com as apurações conduzidas pelo serviço de inteligência da SSP-PI e pela Polícia Civil, por meio do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), aproximadamente R$ 1 milhão teria sido destinado ao planejamento dos ataques. Os recursos seriam utilizados para a contratação de executores de outro estado, além da aquisição ou disponibilização de armamentos, veículos e imóveis utilizados como suporte à ação.
A operação conta com desdobramentos fora do Brasil, com diligências realizadas na Bolívia e no Uruguai e participação da Interpol. As medidas têm como objetivo localizar investigados, aprofundar a identificação das conexões da organização e cumprir as determinações judiciais relacionadas ao caso.
Segundo as investigações, o planejamento dos atentados teria começado após uma série de operações policiais que provocaram prejuízos financeiros ao grupo investigado por envolvimento com o tráfico de drogas no Norte do Piauí.
Entre as ações que teriam motivado a reação da organização está uma operação realizada no município de Bom Princípio do Piauí, onde as forças de segurança apreenderam aproximadamente uma tonelada de entorpecentes, principalmente cocaína. Parte da droga estava escondida em recipientes e tambores enterrados em uma propriedade rural.
A partir dos prejuízos atribuídos às ações policiais, os investigadores identificaram indícios de que integrantes da organização passaram a responsabilizar agentes da segurança pública e iniciaram a articulação de um plano para executar os delegados. O trabalho de inteligência apontou uma estrutura organizada para viabilizar os ataques, com distribuição de tarefas, disponibilidade de recursos financeiros, seleção de possíveis executores e preparação de toda a logística necessária.
As investigações indicam ainda que o delegado Charles Pessoa teria sido monitorado pelos criminosos. A rotina dele, especialmente os horários e locais frequentados para atividades físicas, teria sido acompanhada pelo grupo. Os suspeitos também teriam observado a divulgação de compromissos públicos do delegado para identificar oportunidades de realizar o atentado.
Um dos momentos considerados mais críticos ocorreu na última quinta-feira (24/09), durante um ato político realizado no bairro Mocambinho, na zona Norte de Teresina. Segundo a investigação, a organização teria planejado executar o ataque durante o evento.
A informação foi identificada previamente pelo serviço de inteligência, o que levou as forças de segurança a mobilizarem uma operação no local com o objetivo de impedir a ação. A intervenção policial teria frustrado o atentado e, posteriormente, as informações obtidas contribuíram para o avanço das investigações.
Entre os alvos da operação está A.A.S., conhecido como “Pavão”. Conforme as investigações, ele seria integrante de um núcleo familiar apontado como relevante dentro da estrutura de liderança da organização criminosa.
J.V.C., conhecido como “Meia-Noite”, é apontado pelos investigadores como responsável pela coordenação operacional do plano. Segundo a apuração, caberia a ele selecionar possíveis executores oriundos de Fortaleza, no Ceará, e providenciar a estrutura necessária para a realização do ataque.
Também são investigados C.N.F., conhecido como “Barba”, que teria atuado na transmissão e no acompanhamento de determinações dentro do grupo, e A.D.P.N., conhecido como “Fantasmão”, apontado como responsável por atividades de suporte logístico e operacional e pela articulação entre integrantes da organização no Piauí. Outro investigado é A.L.F.S., conhecido como “André da Ilha”, apontado como integrante da estrutura criminosa.
As investigações também identificaram indícios de que a organização continuaria funcionando mesmo com parte de seus integrantes no sistema prisional. Segundo os investigadores, determinações atribuídas a membros encarcerados seriam repassadas a intermediários que permaneciam em liberdade.
O avanço das apurações revelou ainda uma estrutura que ultrapassa as fronteiras do Piauí e do Brasil. Os investigadores identificaram suspeitos no exterior e possíveis conexões com grupos relacionados ao tráfico de drogas, incluindo ramificações na Bolívia e no Uruguai. A operação desta segunda-feira busca cumprir as medidas judiciais determinadas, interromper a atuação da estrutura investigada e aprofundar a identificação de outros possíveis envolvidos nos planos de ataque e nas atividades criminosas atribuídas à organização.
As acusações e informações apresentadas na investigação ainda deverão ser analisadas no âmbito judicial, respeitando-se o direito à defesa e a presunção de inocência dos investigados.
Fonte: SSP-PI










