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Trump aprova ida de Flávio Bolsonaro aos EUA e questiona eleição brasileira: “Foi muito estranha”

Presidente norte-americano afirmou que autorizaria a entrada do senador derrotado por Lula, criticou o processo eleitoral sem apresentar provas de irregularidades e disse não saber onde o brasileiro estava naquele momento.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na madrugada desta quarta-feira (28) que aprovaria a entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL) em território norte-americano e voltou a questionar o resultado das eleições presidenciais brasileiras, vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno de domingo (25). Ao ser questionado por jornalistas sobre a possibilidade de receber o parlamentar, Trump declarou que considerava a família Bolsonaro formada por “boas pessoas” e classificou a eleição brasileira como “muito estranha”. O presidente, entretanto, afirmou não saber exatamente onde Flávio estava naquele momento.

As declarações foram feitas a jornalistas na pista da Base Conjunta de Andrews, nos Estados Unidos, quando Trump retornava de uma viagem ao Texas. Questionado sobre a eventual entrada do senador no país, o republicano respondeu: “Bem, eu aprovaria. Acho que são boas pessoas”. Em seguida, criticou a condução do processo eleitoral brasileiro e afirmou que o resultado havia recebido avaliações negativas, mencionando também o comportamento do mercado financeiro.

Trump, contudo, não apresentou evidências de fraude ou de irregularidades que sustentassem suas críticas. O presidente norte-americano também afirmou que não havia tomado partido na disputa e disse conhecer Lula, ter algum contato com Flávio e conhecer bem o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Eu não tomei partido, sabe. Conheço os dois. Conheço Lula. Conheço um pouco Flávio. Conheço muito bem o pai”, declarou Trump, em referência ao ex-presidente brasileiro.

Viagem aos Estados Unidos ocorre após derrota eleitoral

A manifestação de Trump ocorreu dois dias depois da derrota de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial e em meio a informações sobre a saída do senador do Brasil com destino aos Estados Unidos. Segundo a agência Reuters, uma autoridade do Departamento de Estado norte-americano informou que o governo dos EUA concederia vistos a Flávio e a seus familiares.

A movimentação internacional do senador ganhou repercussão após o governo argentino confirmar que ele entrou na Argentina às 22h50 de terça-feira (27), acompanhado da mulher e das duas filhas. De acordo com a Direção Nacional de Migrações da Argentina, o grupo embarcou cerca de 40 minutos depois em um voo privado com destino declarado a Guayaquil, no Equador.

Informações divulgadas posteriormente por plataformas de rastreamento aéreo indicaram que a aeronave deixou o Equador em direção a Miami, na Flórida. Os registros permitem acompanhar o deslocamento do avião, mas não comprovam, isoladamente, a identidade de todos os passageiros em cada trecho.

Na ocasião das declarações de Trump, o paradeiro exato do senador ainda era objeto de relatos divergentes. Aliados de Flávio haviam afirmado que ele já teria chegado aos Estados Unidos, mas a informação ainda não havia sido confirmada de forma independente naquele momento.

Questionamentos sobre decisão judicial

A viagem também ocorre em meio a uma controvérsia envolvendo documentos de viagem do senador. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado a entrega dos passaportes de Flávio à Polícia Federal, no contexto de uma investigação em andamento. A corporação informou que os documentos brasileiros foram cancelados após o parlamentar não cumprir a determinação no prazo estabelecido.

O episódio levantou questionamentos sobre as circunstâncias da saída do senador do país e sobre o cumprimento da decisão judicial. A extensão dos efeitos da medida sobre documentos estrangeiros e as condições de eventual ingresso nos Estados Unidos devem ser esclarecidas pelas autoridades competentes.

Ao comentar a situação, Trump também voltou a manifestar solidariedade a Jair Bolsonaro, afirmando que, em sua avaliação, o ex-presidente brasileiro havia sido tratado de maneira injusta pela Justiça do país. A declaração se soma a manifestações anteriores do republicano sobre o cenário político brasileiro.

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