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Ministério da Saúde prevê aumento de até 40% nos casos de dengue em 2027 e avalia retomada de vacina

Efeitos do fenômeno El Niño podem favorecer a proliferação do mosquito Aedes aegypti e elevar o número de infecções no país; governo aguarda conclusão de estudos sobre a segurança do imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan.

O Ministério da Saúde projeta um aumento de até 40% nos casos de dengue em determinadas regiões do Brasil durante o próximo ciclo epidemiológico, com possibilidade de agravamento do cenário em 2027. A previsão considera os efeitos do fenômeno climático El Niño, que pode provocar alterações nas temperaturas e no regime de chuvas, criando condições favoráveis à reprodução do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.

A estimativa foi apresentada por representantes do governo federal na última quarta-feira (4). Segundo o Ministério da Saúde, a elevação dos casos pode variar entre 20% e 40%, dependendo da região e das condições climáticas. O cenário preocupa as autoridades sanitárias, que já trabalham na preparação dos estados e municípios para enfrentar uma possível nova alta das infecções.

O Sudeste aparece entre as regiões que exigem maior atenção. Em um dos cenários considerados, a projeção aponta possibilidade de aumento de até 40% nas ocorrências de dengue. A combinação de temperaturas elevadas e períodos de chuva pode contribuir para a formação de criadouros do mosquito transmissor. Além das condições climáticas, outro fator preocupa os especialistas: a maior quantidade de pessoas suscetíveis à infecção após a redução expressiva dos casos nos últimos períodos. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a circulação do vírus também precisa ser considerada na avaliação do risco epidemiológico.

Projeções desenvolvidas pelo InfoDengue, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indicam que o Brasil poderá registrar aproximadamente 1,7 milhão de casos de dengue em 2027. O número reforça a necessidade de preparação da rede pública de saúde, embora as estimativas estejam sujeitas a alterações conforme novos dados climáticos e epidemiológicos sejam incorporados.

Vacina do Butantan pode voltar ao SUS em 2027

Diante da possibilidade de aumento das infecções, o governo federal também avalia a retomada da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. O imunizante, chamado Butantan-DV, teve sua utilização temporariamente suspensa em junho de 2026, após o registro de eventos adversos que passaram a ser investigados pelas autoridades sanitárias.

De acordo com o Ministério da Saúde, foram identificados 42 casos com sinais de alerta entre aproximadamente 500 mil doses aplicadas. Entre os registros, houve ocorrências graves e dois óbitos, mas ainda não foi estabelecida uma relação de causalidade entre as mortes e a vacinação.

O ministro Alexandre Padilha afirmou que o governo espera concluir as avaliações técnicas para decidir sobre uma possível retomada do imunizante no próximo ano. A decisão dependerá dos resultados das investigações conduzidas com participação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Saúde e do próprio Instituto Butantan.

A vacina Butantan-DV foi desenvolvida para aplicação em dose única e recebeu autorização da Anvisa em dezembro de 2025. O imunizante foi aprovado para pessoas de 12 a 59 anos e representa uma das principais apostas brasileiras para ampliar a proteção contra a doença. Enquanto a análise não é concluída, o Sistema Único de Saúde (SUS) mantém a vacinação contra a dengue com o imunizante Qdenga, produzido pela farmacêutica japonesa Takeda. Atualmente, a estratégia da rede pública contempla crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.

El Niño aumenta preocupação com a dengue

O fenômeno El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e pode provocar mudanças importantes nos padrões climáticos de diferentes regiões do planeta.

No Brasil, seus efeitos podem incluir períodos de calor intenso, alterações na distribuição das chuvas e estiagens em determinadas localidades. Essas condições podem favorecer a transmissão da dengue, especialmente quando contribuem para o armazenamento inadequado de água e o surgimento de recipientes que acumulam água parada. Em julho, o Ministério da Saúde já havia emitido um alerta a estados e municípios recomendando o reforço das medidas de vigilância epidemiológica e combate às arboviroses, grupo de doenças que inclui dengue, chikungunya e zika.

Entre as orientações estão a intensificação das visitas dos agentes de combate às endemias, a identificação de possíveis criadouros, o bloqueio da transmissão nos primeiros casos identificados e o fortalecimento das campanhas de conscientização. A população também tem papel fundamental na prevenção. A recomendação é manter caixas d’água fechadas, limpar calhas, eliminar recipientes que possam acumular água e realizar vistorias frequentes em quintais e áreas externas das residências.

Com a possibilidade de uma nova alta da dengue em 2027, as autoridades sanitárias defendem que as medidas preventivas sejam intensificadas antes do período de maior circulação do mosquito. A preparação antecipada da rede de saúde será fundamental para reduzir o número de infecções, evitar casos graves e prevenir mortes.

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